Com apenas 23 anos, José de Sousa deixou Portugal em busca de uma vida melhor em França. Hoje, aos 61, lidera uma empresa com mais de três décadas de sucesso na região de Paris: a Bâtiment MDK. Determinado, corajoso e ambicioso, construiu um percurso que espelha o esforço de milhares de emigrantes portugueses.

“Foi difícil, como acontece com todos os imigrantes, mas vivi tudo com muita energia”, recorda. Ao chegar, enfrentou desafios que iam desde a adaptação cultural até à barreira linguística. No entanto, manteve sempre o foco no futuro.
Uma ambição que transformou obstáculos em conquistas
Fundar a sua própria empresa foi um passo natural para alguém com tanta vontade de vencer. “Sempre fui uma pessoa muito corajosa e ambiciosa. A ambição faz-nos crescer e criar”, afirma com convicção.
A criação da Bâtiment MDK, no entanto, não se fez sem sacrifícios. “O mais difícil foi não falar bem francês. No trabalho manual não havia problemas, mas a parte administrativa, os clientes, a confiança… isso foi complicado”, relembra.
Apesar disso, avançou com determinação. Ultrapassou as dificuldades iniciais e construiu uma reputação sólida, baseada na qualidade do trabalho e na seriedade que sempre demonstrou.
Orgulho na identidade portuguesa
José de Sousa acredita que a maneira de ser dos portugueses contribui para o sucesso no estrangeiro. “Quando emigramos, é fundamental integrar-nos, mas sem perder a nossa seriedade. É preciso convencer, encontrar soluções e mostrar vontade de fazer bem”, diz.
Para ele, o valor do trabalho está ligado à atitude. E essa atitude, garante, é uma marca dos portugueses espalhados pelo mundo. “Os portugueses têm uma forma muito própria de estar. Quando nos aplicamos, conseguimos fazer nome onde quer que vamos.”
Família e valores: A base de tudo
Além do sucesso profissional, José de Sousa valoriza profundamente a família. Casado há quase 40 anos e pai de filhos já adultos, vê-se como um exemplo para a nova geração. “Quero que os meus filhos olhem para mim e pensem: ‘O meu pai conseguiu. Eu também consigo.’”
Apesar de trabalhar sobretudo com franceses, mantém o carinho pelas origens. “Gosto de ir a restaurantes portugueses e de falar com outros compatriotas, mesmo que seja só por uns minutos”, partilha.
Olhar para o futuro com realismo
Hoje, divide o seu tempo entre reuniões, visitas a obras e novos projetos. Continua motivado, com os pés bem assentes na terra. “Gosto muito de França. Foi aqui que consegui construir tudo. Ir de férias a Portugal, sim. Mas viver lá definitivamente parece-me difícil”, admite.
A nomeação para os “Portugueses de Valor” representa o reconhecimento de uma vida feita de trabalho, coragem e ambição. E, no final, deixa uma mensagem clara à diáspora: “Gosto muito da nossa gente. Onde quer que cheguemos, conseguimos fazer nome, e isso é muito importante.”




