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PV 2026: João Costa Ferreira (nomeado)

A história de João Costa Ferreira avança com a precisão de uma partitura bem escrita. Pianista, investigador e diretor da Maison du Portugal – André de Gouveia, em Paris, constrói um caminho onde as raízes portuguesas convivem com uma vida plena na capital francesa.

João Costa Ferreira

Antes de tudo, João Costa Ferreira nasceu em Ourém, a 6 de agosto de 1986, e cresceu em Leiria. Recorda esses lugares com enorme nitidez e afirma: “A terra que me viu nascer: Ourém; a terra que me viu crescer: Leiria.” Depois, destaca o papel decisivo do Orfeão de Leiria, onde descobriu a música e percebeu que o piano o levaria mais longe.

Com 19 anos, partiu para Paris onde concluiu o Diplôme Supérieur d’Exécution em piano pela École Normale de Musique de Paris. Mais tarde, finalizou o Doutoramento em Música e Musicologia na Sorbonne. Apesar da distância, mantém um vínculo emocional sólido com as origens. “Os meus pais e o meu irmão. A minha família do Soutocico e de Fátima”, sublinha, enquanto descreve o que mais marcou a sua infância.

Entre o palco e a investigação

João Costa Ferreira estreiou-se internacionalmente em 2009 e, desde então, apresentou-se em palcos de Portugal, França, Bélgica e Países Baixos. Conta com três álbuns a solo e quatro de música de câmara, muitos com primeiras gravações mundiais de compositores portugueses. “Editei mais de 30 obras inéditas de compositores portugueses”, afirma, com orgulho pela contribuição que oferece ao património musical nacional.

A investigação ocupa também um lugar central no seu percurso. A tese dedicada à escrita pianística de José Vianna da Motta reforça assim a sua missão: valorizar, estudar e divulgar a música portuguesa. Além disso, participa regularmente em júris de concursos internacionais, do Porto à Geórgia, e leva consigo um olhar atento sobre novas gerações de músicos.

A direção da Casa de Portugal: um novo capítulo

Em 2022, decidiu candidatar-se à direção da Casa de Portugal – André de Gouveia. Assumiu funções em setembro de 2023 e dinamizou, em pouco tempo, mais de 200 eventos culturais e científicos. Com clareza, explica o seu propósito: projetar a cultura portuguesa numa das maiores comunidades universitárias internacionais. E acrescenta: “Tenho procurado dar a cada associação portuguesa em França a oportunidade de beneficiar de um espaço para os seus eventos culturais, debates e até assembleias gerais.”

Valores, sonhos e uma visão serena do futuro

Quando fala sobre os valores que o guiam, João Costa Ferreira resume: “Integridade e honestidade.” Sobre sonhos, revela que alcançou o essencial. “O meu sonho sempre foi ser pianista. Considero tê-lo alcançado, na medida em que toco quando quero.” Prefere, no entanto, não antecipar demasiado o futuro. “A vida tem-me surpreendido à medida que avança. Talvez prefira aguardar pela próxima surpresa.”

Um patriotismo que une

Ser português significa, para João Costa Ferreira, carregar emoções profundas. “Para mim, ser português é carregar memórias de passado e futuro, de saudade e esperança.” E define o seu patriotismo de forma clara e inclusiva: “Considero-me patriota no sentido cívico e cultural do termo. Patriotismo não é oposição aos outros países nem um sentimento de superioridade, mas sim um compromisso com o bem-estar da minha comunidade e com os valores que nos definem.”

Deixa ainda uma mensagem aos portugueses espalhados pelo mundo: “Nunca desistam dos vossos sonhos e apoiem sempre os sonhos dos vossos filhos.”

Entre o piano, a investigação e a diplomacia cultural, João Costa Ferreira continua assim a escrever uma história que, tal como as melhores obras musicais, ainda promete muitos movimentos.

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