Sexta-feira, Junho 5, 2026
InícioInformaçãoConflito no Médio Oriente: Protesto nos Açores contra uso militar da Base...

Conflito no Médio Oriente: Protesto nos Açores contra uso militar da Base das Lajes

Pouco mais de duas dezenas de pessoas manifestaram-se hoje em frente à Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, contra a utilização da infraestrutura em operações militares ligadas ao ataque dos Estados Unidos ao Irão, segundo a agência Lusa.

Base das Lajes, Terceira, Açores, 07 março 2026. ANTONIO ARAUJO/LUSA

“Lajes para a paz, não para bombardear”

Debaixo de chuva, os manifestantes, incluindo dirigentes do Bloco de Esquerda/Açores, exibiram faixas e cartazes com mensagens como “Açores fora da guerra de Trump” e “Respeitem o direito internacional”. Durante o protesto, gritaram slogans como “Nos Açores e no continente queremos paz no Médio Oriente”.

Laura Alves, porta-voz do protesto, afirmou que o Governo português deveria permitir a utilização da Base apenas em operações relacionadas com organizações das quais Portugal e os EUA são membros, considerando que este não foi o caso do recente ataque ao Irão.

Apelo à discussão política

Segundo Laura Alves, a manifestação representa “uma parte significativa da população portuguesa” e apelou para que o tema seja discutido na Assembleia da República e na Assembleia Legislativa dos Açores.

Apesar da presença de militantes do Bloco de Esquerda, a porta-voz sublinhou que se tratava de uma “iniciativa cidadã”, unida pela recusa do uso da Base das Lajes fora do Acordo de Cooperação e Defesa existente.

Crítica aos ataques recentes

No manifesto lido no início do protesto, os participantes consideraram o ataque dos EUA e de Israel ao Irão “sem legitimidade legal internacional” e “injustificável”, sublinhando que provocou vítimas civis, incluindo mais de uma centena de crianças.

Laura Alves acrescentou que os manifestantes se opõem ao regime iraniano, mas também a qualquer escalada militar que ignore a via diplomática. O manifesto concluiu com um apelo para que “Portugal rejeite a utilização da Base das Lajes em qualquer operação militar que contribua para alimentar esta guerra”.

Movimentação militar na Base

Pouco depois da manifestação, descolaram da Base dois aviões C-130 da Força Aérea norte-americana, enquanto os 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus permanecem em terra ou em missões de reabastecimento, incluindo voos entre os Estados Unidos e o Médio Oriente.

Repatriamento de portugueses do Médio Oriente

As autoridades de Lisboa já repatriaram cerca de 500 cidadãos portugueses do Médio Oriente, através de voos específicos ou comerciais, após os ataques ao Irão. Os 73 portugueses que estavam num cruzeiro no Dubai começaram também a regressar hoje, depois de uma semana retidos a bordo.

Alguns passageiros queixaram-se de falta de contacto direto das autoridades, mas Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, esclareceu que o embaixador português visitou o navio e orientou o repatriamento, ainda que parte dos passageiros tenha optado por voos organizados pela companhia de navegação.

O aeroporto do Dubai retomou hoje as operações, permitindo que os passageiros saíssem do navio e seguissem para Portugal via voos comerciais.

Contexto do conflito

Esta manifestação ocorre no oitavo dia do conflito desencadeado após a operação dos EUA e Israel contra o Irão. O exército israelita anunciou novas hostilidades, enquanto o Aeroporto Internacional de Mehrabad, em Teerão, sofreu um grande incêndio.

Segundo dados provisórios, o Irão reporta pelo menos 1.332 civis mortos, enquanto os ataques iranianos provocaram até agora dez vítimas em Israel. A verificação independente dos números é difícil devido à interrupção da Internet e às restrições de acesso.

ARTIGOS RELACIONADOS

Artigos Populares