No passado dia 17 de fevereiro, a Rádio Alfa protagonizou uma emissão especial em parceria com a associação Todos Juntos France. A iniciativa colocou em evidência uma mobilização inédita da comunidade portuguesa em França para apoiar as vítimas das recentes tempestades em Portugal.

Cerca de 20 associações da região parisiense responderam ao apelo. Assim, a diáspora organizou uma das maiores ações solidárias dos últimos anos. O movimento envolveu dirigentes associativos, voluntários e autarcas franceses e portugueses, todos unidos por um objetivo comum: ajudar rapidamente quem perdeu bens e condições básicas de vida.
Um espírito que nasceu na pandemia
O projeto Todos Juntos surgiu há seis anos, durante a pandemia de Covid-19. Desde então, a associação promove a união do tecido associativo português em França para responder a situações de emergência.
Manuel Pinto Lopes, presidente da associação, explicou o impulso desta nova ação: “Perante o que aconteceu agora em Portugal, o Todos Juntos não podia, de forma alguma, ficar indiferente. Houve pessoas que se mobilizaram a título individual, sem olhar a interesses locais ou ao facto de as suas terras terem sido atingidas. É precisamente isso que dá sentido ao nome Todos Juntos.”
Por conseguinte, a estrutura avançou rapidamente para o terreno, coordenando recolhas, transportes e contactos institucionais.
Logística rigorosa e ajuda concreta
Entre 3 e 18 de fevereiro, a organização enviou seis camiões com 68,5 toneladas de donativos. Assim, as cargas incluíram lonas, cordas, telhas, geradores e bens alimentares. As equipas distribuíram os materiais por Leiria, Pombal, Marinha Grande, Ourém, Batalha e Figueira da Foz.
Além disso, os voluntários numeraram cada palete e cada caixa, garantindo rastreabilidade total. Desta forma, a ajuda chegou diretamente às famílias sinalizadas.
Fernando Lopes, vice-presidente da associação e diretor-geral da Rádio Alfa, destacou o papel da estação: “A Rádio Alfa, a rádio que nos liga, não podia ficar ausente do que está a acontecer em Portugal. A maior surpresa e o maior orgulho surgiram quando vi o mundo associativo mobilizar-se desta forma. Muitas pessoas viveram estes dias com enorme angústia, sem conseguirem contactar a família. Estamos aqui também por elas.”
Por sua vez, Joaquim Barros sublinhou: “Muitas associações, profissionais e particulares juntaram-se a esta causa. Lutamos todos pelo mesmo objetivo. Exigimos transparência total para que todos confiem no processo.”
Armindo Freire reforçou a importância da união: “Todas as associações estão aqui em torno da mesma causa. Esta união representa algo muito bonito e fiel ao espírito com que criámos o coletivo.”
Associações no terreno
A ASCOP Cravos Dourados decidiu contribuir de imediato. O seu presidente, Patrick Mateus, contou: “Na mesma noite decidimos atribuir uma verba significativa. Apesar de nos dedicarmos ao folclore, percebemos que tínhamos de assumir um papel solidário. Contactámos câmaras municipais em Portugal para identificar necessidades reais.”
Também a Academia do Bacalhau de Paris se associou à iniciativa. Ricardo José afirmou: “Sinto um enorme orgulho em ser português ao ver este movimento. Nunca testemunhei nada desta dimensão em França.”
Em Nogent-sur-Marne, a Associação Estrelas do Mar organizou a armazenagem e expedição. Manuel Guardado explicou que os donativos seguiram diretamente para a Marinha das Ondas, com distribuição assegurada pela Cruz Vermelha local.
Já a ARCPF de Fontenay-sous-Bois garantiu apoio financeiro imediato. Adelaide Cação revelou: “Em menos de 24 horas, a autarquia desbloqueou cinco mil euros para a Marinha Grande. Comprámos também um gerador de grande potência e bens essenciais.”
O papel institucional foi reforçado por Cipriano Rodrigues, presidente da APCS de Pontault Combault: “O presidente da Câmara mostrou-se muito sensibilizado com a situação em Portugal e comprometeu-se a propor, no próximo Conselho Municipal, uma ajuda direta ao país. Além disso, em nome da nossa associação, decidimos doar uma parte dos lucros da próxima festa anual franco-portuguesa através da operação Todos Juntos.”
Uma diáspora mais forte
A emissão especial da Rádio Alfa e a ação coordenada do Todos Juntos provaram, acima de tudo, que a distância não quebra laços. Pelo contrário, reforça-os. Como resumiu Miguel Pires: “Esta é a prova viva de que os portugueses são solidários e que, todos juntos, somos muito mais fortes.”




