
Cristophe Fonseca, natural de Leiria, é muito mais do que um nome reconhecido no meio audiovisual. Antes de tudo, há que referir a carreira marcada pela criatividade, pelo rigor jornalístico e pela paixão pela cultura. Por outro lado, este autor, realizador e produtor luso-francês soma mais de 50 filmes e 400 milhões de espectadores em todo o mundo. Além disso, em 2025, é justamente distinguido com a nomeação aos Prémios Portugueses de Valor, que reconhecem o contributo de portugueses notáveis na diáspora.
Desde cedo, Fonseca mostrou vocação artística. Primeiramente, frequentou conservatórios de música e belas-artes, e mais tarde especializou-se em cinema e audiovisual em Paris. Aos 20 anos, já correalizava DVexp, um média-metragem apresentado no Festival de Cannes. Mas a ousadia e o estilo experimental do projeto chamaram a atenção da crítica e abriram-lhe as portas do mundo audiovisual.
Do grande repórter ao produtor de referência
Durante 15 anos, Fonseca trabalhou como grande repórter nas principais cadeias de televisão francesas, como France Télévisions, Arte, TF1, M6 e Canal+. Além disso, produziu investigações de grande impacto social. Um exemplo marcante é o documentário Vache folle: la peur au ventre, que levou o então Presidente Jacques Chirac a intervir publicamente no dia seguinte à emissão. Outro destaque foi Banques, notre argent les intéresse, uma investigação sobre o desvio de fundos pelas instituições bancárias francesas, elogiada pela sua profundidade e alcance.
Em 2007, decidiu fundar a sua própria produtora, Les Films de l’Odyssée. Com esta nova etapa, lançou-se na criação de grandes documentários. A primeira produção, Des femmes en blanc, conquistou o público e abriu caminho para uma série de filmes centrados nos direitos das mulheres. Christophe destacou-se assim como uma das vozes pioneiras na abordagem audiovisual da igualdade de género em França.
O seu trabalho foi também reconhecido fora do circuito tradicional. Em 2014, venceu o Grand Prix Brand Content, em colaboração com a agência Havas, graças a um documentário imersivo sobre a Marinha Francesa.
Uma ponte entre culturas

Em 2015, regressou às raízes e criou, em Lisboa, a produtora Imagina Produções, em parceria com o realizador Ruben Alves. Juntos, realizaram Les Voix du Fado, um documentário musical que reuniu grandes nomes da música portuguesa e internacional, como Mariza, Camané, Ana Moura e Caetano Veloso.
Este projeto deu origem a uma homenagem a Amália Rodrigues, com a inauguração de uma praça em Lisboa, com obra do artista Vhils.
Nos últimos anos, Christophe Fonseca tem-se dedicado a filmes sobre arte e história, com destaque para Amadeo – o segredo mais bem guardado da arte moderna, Pissarro – o pai dos impressionistas, e Chu Teh-Chun. Estes documentários foram exibidos em instituições como o Grand Palais, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Louvre, o MoMA e o Museu de Arte de Xangai.
Atualmente, prepara o lançamento do docu-ficção Au-delà du silence – Além Fronteiras, sobre a história da emigração portuguesa em França. O filme tem estreia prevista nos cinemas de Portugal e França no final de 2025.
Reconhecimento e compromisso com a diáspora
Em 2014, recebeu uma distinção das mãos do Presidente da República Portuguesa, da COTEC e da Fundação Gulbenkian. Aceitou este reconhecimento com humildade e emoção: “Aceito este prémio em nome dos emigrantes portugueses que sempre me inspiraram.”
Dois anos depois, foi escolhido como um dos 100 portugueses mais influentes do mundo e passou a integrar o Conselho da Diáspora Portuguesa, onde é atualmente Diretor da Cultura. Nesta função, organiza fóruns internacionais como o EuroÁfrica e o EuroAmérica, que decorrem anualmente em Lisboa e reúnem chefes de Estado e personalidades influentes de vários continentes.
Apesar do sucesso e das distinções, Christophe mantém-se reservado e longe dos holofotes. Prefere destacar as histórias que conta, os artistas que filma e a herança cultural que preserva. Com uma visão humanista e uma identidade lusa bem vincada, continua a dar voz à cultura portuguesa no mundo.
A sua nomeação aos Prémios Portugueses de Valor 2025 celebra um percurso singular, onde a arte, o jornalismo e o amor pelas raízes se unem num legado que inspira.




