Gabriel Lobão tem apenas 26 anos, mas já soma uma experiência de vida impressionante. Nascido em Neuilly-sur-Seine, perto de Paris, é filho de pais portugueses e representa uma nova geração que vive entre culturas, sem perder o sentido de identidade.

Desde cedo, a música foi o seu guia. Com cinco anos entrou no conservatório de Épinay-sur-Seine e, aos onze, integrou a Maîtrise de Radio France, um dos coros juvenis mais exigentes do país. “Desde pequeno soube que queria cantar”, partilha. Um episódio curioso da infância marcou essa certeza: aos três anos, após uma queda que o levou ao hospital, começou a cantar no caminho. Foi nesse momento que os pais perceberam que havia algo de especial na sua ligação à música.
Disciplina e criatividade lado a lado
A formação clássica moldou o seu carácter e ensinou-lhe rigor. Essa base tornou-se essencial no seu dia a dia como compositor. Escreve e trabalha as suas músicas com dedicação constante. Mas a sua curiosidade foi além das notas musicais. Assim, estudou Sociologia em Paris e Madrid para melhor entender as pessoas, antes de rumar a Londres, onde explorou a pop e o teatro musical.
“Quis compreender as pessoas antes de cantar para elas”, afirma. Esse interesse reflete-se nas suas letras, que abordam temas humanos com empatia e sensibilidade.
Um português no mundo
Gabriel Lobão viveu em França, Espanha e Inglaterra, mas nunca perdeu o vínculo com as raízes. “Se calhar sou patriota europeu”, diz com humor. Vê-se como parte de uma geração que cresceu a viajar, adaptando-se a diferentes línguas e realidades, mas mantendo sempre um fio condutor com a cultura portuguesa.
Participou no The Voice França, onde alcançou o terceiro lugar. No entanto, valoriza mais o processo do que o resultado. “O mais importante foi ter vivido a experiência do início ao fim”, sublinha.

Entre a fama e a responsabilidade
Atualmente, prepara o seu primeiro single, com lançamento previsto para junho. Trabalha com um produtor de renome, responsável por êxitos de artistas como Kendji Girac e Zaz. Apesar disso, mantém os pés bem assentes na terra. “Não tenho expetativas. Se vier o sucesso, ótimo. Se não, continuo em frente. Esse é o meu equilíbrio.”
A sua ligação à comunidade também o inspira. Tornou-se compadre da Academia do Bacalhau de Paris, apoiando causas sociais e promovendo a solidariedade. “Ser gentil resulta. Quem é ‘bom demais’ deve continuar a sê-lo.”
Ser português é partilhar
Gabriel Lobão vê assim a identidade portuguesa como uma mistura de coragem e emoção. Para ele, ser português é ter espírito aventureiro, valorizar a entreajuda e a partilha. Na aldeia de Muxagata, onde passa parte do tempo, sente esse espírito de forma concreta: “Dou-te tomates, tu dás-me mel.”
A sua mensagem para os portugueses no estrangeiro é clara: “Continuem a arriscar, a explorar. Somos feitos de afetos e de coragem. E mesmo longe, partilhem. É isso que nos liga.”




