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Sernancelhe celebra sopas e ranchos num fim de semana que junta muitos emigrantes

De 13 a 15 de fevereiro, Sernancelhe acolheu o 12º Festival de Sopas e Encontro de Ranchos, num evento que juntou 21 associações e vários grupos de rancho para celebrar a gastronomia e a tradição nacional, juntando muitos emigrantes na sua terra natal.

Festival das Sopas e Encontro de Ranchos de Sernancelhe

“De facto, este evento é o 12º evento, um evento que vai aliando a cultura, as tradições, a etnografia, as sopas e os paladares. É uma forma de também nos ligarmos às antigas gerações e os nossos emigrantes fazem questão de escolher este fim de semana para nos visitar e, através dos sabores, relembrar os seus anos passados, os seus familiares que já partiram”, disse à Lusopress o presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Carlos Santos.

A visita de emigrantes num fim de semana de festa e tradição

“Eu sendo filho de emigrantes, é recordar também tudo aquilo que o meu pai, que infelizmente já faleceu, o sacrifício que os emigrantes fazem para conseguir, fora de portas, vingar na vida e conseguir o seu ganha-pão. Não esquecendo de onde vieram, de onde são, vindo-nos visitar e também investindo no concelho de Sernancelhe. Muitas empresas têm tido a oportunidade de criar laços com os nossos embaixadores, os nossos emigrantes são os embaixadores aqui do nosso concelho, que vão também promovendo os nossos produtos, como a castanha”, afirmou.

A abertura do evento contou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, que salientou o investimento para a preservação da identidade cultural no interior do país.

“Eu acho absolutamente fundamental, porque hoje o interior tem que se desenvolver, tem que manter a atração e este investimento que se faz nas nossas tradições, na nossa cultura, é uma das boas formas de manter a ligação ao território”, disse à Lusopress, destacando o “extraordinário trabalho” da câmara municipal que consegue “chamar os emigrantes” e que estes “mantenham a ligação à terra”.

Defendendo que “a despesa com cultura não é um custo, é uma despesa de investimento”, Emídio Sousa referiu a importância do município promover o crescimento ao trazer pessoas, dinamizar a economia e os produtores.

Melhor gastronomia do mundo

“Nós temos a melhor gastronomia do mundo. Seja na sopa, seja na carne, seja no peixe, seja na fruta. Nós distinguimos em todo o mundo pela gastronomia”, afirmou, lançando o desafio aos visitantes de neste fim de semana provarem a “enorme variedade de sopas”, uma iguaria muito típica de Portugal, ao mesmo tempo que vivem a tradição.

“E depois as tradições, porque o folclore recria um bocadinho a nossa maneira de ser, a nossa história, a ligação ao campo, à colheita, à cultura. O nosso folclore reproduz um bocadinho isso. E estas duas situações, a gastronomia, a sopa, o folclore, a tradição agrícola, estão juntas e é uma conjugação feliz”, disse.

Recordando que também é filho de emigrantes, o Secretário de Estado acredita que os portugueses que vivem no estrangeiro e que mantêm uma forte ligação aqui à zona é algo único. “Eu vejo no nosso imigrante o patriotismo, uma reserva de amor à pátria única”.

“Nós, muitas vezes, estamos aqui em Portugal e não nos apercebemos, mas o amor a Portugal, o amor à pátrica, o orgulho em ser português na nossa comunidade de imigrantes é o único. Eu tenho visitado muitas das nossas comunidades e fico sempre extremamente sensibilizado com o amor que eles têm por Portugal”, acrescentou.

21 associações a darem a provar as suas sopas

Este ano, os visitantes puderam escolher entre 21 sopas presentes no Exposalão de Sernancelhe e outras tantas iguarias da região, como sopa de peixe, caldo de castanha, sopa de javali, sopa de cogumelos silvestres e sopa de cebola, com destaque para a famosa sopa de castanha da Confraria da Castanha.

Na capital da castanha, que tradicionalmente realiza o Festival da Castanha no final de outubro, esta sopa “é o ex-libris da festa”, segundo Amélia Mateus, membro da direção da Confraria da Castanha.

“A Confraria da castanha é uma confraria um bocadinho já antiga, já temos quase 30 anos de existência e fomos buscar as nossas raízes, o nosso produto que nós temos a nível da castanha”, afirmou, acrescentando que o seu trabalho passa por divulgar este fruto seco em eventos como o Festival de Sopas e Encontro de Ranchos, que no primeiro dia reuniu muitas pessoas a participar.

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