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Armando Ferreira mais uma vítima da tempestade perto de Leiria

A depressão Kristin afetou o distrito de Leiria na madrugada de 28 de janeiro, deixando um rasto de estragos, Armando Ferreira foi uma das vítima da tempestade, o empresário residente em Santa Eufémia, no concelho de Leiria, disse à Lusopress que “nunca tinha visto” uma tempestade desta dimensão e força em Portugal.

“Aqui foi uma catastrofe”, segundo Armando Ferreira.

Armando Ferreira. Santa Eufémia, Leiria, 03 fevereiro 2026/Lusopress

“Isso parece que é da mesma dimensão, da mesma potência que foi em França em 1999. Eu estive presente, estava em França nessa altura. Só que as construções em França talvez sejam mais bem construídas, com normas mais duras e não houve tantos estragos no nível das construções”, afirmou.

Para além de todas as telhas que voaram das casas e da igreja que tem no seu terreno, a prioridade de Armando Ferreira foram os seus animais.

“Os animais foram a prioridade, a prioridade foi a cerca, abrir a estrada, (arranjar) a cerca e pôr os animais dentro no sítio deles. E fizemos o telhado da maternidade das marrãs antes de proteger os bens”, disse, revelando que na mesma semana do temporal nasceram 36 leitões.

“Foi uma carga de trabalho. Porque os leitões precisam do aquecimento, mas está tudo controlado”, assegurou.

Numa localidade cuja solidariedade está a ser um fator essencial para se reerguer, este empresário contou ainda a história de um vizinho que usa cadeira de rodas e cujo telhado da casa voou todo, tendo sido ajudado por outras pessoas pela manhã após a passagem do temporal.

“Aqui os meus vizinhos que me ajudam, senão estava desamparado com tanta coisa”, disse, referindo que por esta altura já conseguiu tratar dos problemas de mais urgência na sua propriedade e que irá recompor o que ainda lhe falta, nomeadamente telhas que neste momento são escassas até para quem as consegue comprar.

Governo pouco solidário

“Eu senti que o Governo não é solidário com a situação. Cinco dias depois vem ver que está tudo mal. Não há ninguém. Há muitos roubos”, afirmou, referindo-se à situação de insegurança que se vive na zona, com a população mais idosa a ser enganada e roubada.

Para o empresário, o exército poderia ser chamado para estar perto da população e dar a sensação de mais segurança.

“Eu penso que a tropa não está adaptada para vir reparar telhados, nem para fazer trabalhos, mas podia ao menos pôr a tropa nos cruzamentos todos, que é para dar um sentido de segurança. Porque os ladrões circulam. Mas se houvesse, nos cruzamentos essenciais na região, as tropas, ao menos para isso, já as pessoas estavam melhor”, defendeu.

Além disso, Armando Ferreira refere que a situação nas aldeias vizinhas e mais isoladas é preocupante, já que nem na sua rua, a poucos quilómetros de Leiria, viu passar a proteção civil ou agentes de segurança.

“Eu penso que aqui para trás, aqui para Espite, para Memória, está tudo abandonado. As pessoas estão a morrer. Estão abandonadas. Não tem eletricidade, não tem nada. A gente também não tem aqui e estamos a um quilómetro de Leiria. Mas eu penso que as pessoas estão a morrer”.

Situação de calamidade até 08 de fevereiro

A situação de calamidade foi prolongada pelo Governo até 08 de fevereiro, após a passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, que deixou um rasto de destruição, causando até ao momento nove mortos, segundo a Proteção Civil, e vários feridos e desalojados. 

Leiria, por onde a depressão entrou no território, foi o distrito que registou mais estragos, com quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte e cortes de energia, água e comunicações, com muitas localidades ainda sem previsão para voltar à normalidade.

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