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Pombal tenta voltar à normalidade após temporal ainda sem previsão para água e energia

A Câmara Municipal de Pombal reúne esforços para ajudar as pessoas e estabelecer a normalidade, ainda sem previsão, quase uma semana após a passagem da depressão Kristin, que afetou bastante o distrito de Leiria, deixando a maioria da população sem acesso a água e eletricidade e com as suas habitações com vários estragos.

Gabinete de crise, Pombal 2 de fevereiro de 2026/Lusopress

“Em termos de eletricidade, temos ainda 70% sem eletricidade na nossa população. E em termos de água, será sensivelmente o mesmo número. Neste momento são as duas necessidades que são mais fortes”, revelou à Lusopress a vice-presidente da Câmara de Pombal, Isabel Marto.

O foco da proteção civil desde a passagem da depressão Kristin, na noite de 28 de janeiro, passou pela desobstrução das vias, o que foi conseguido apenas no final do dia de domingo.

“Obviamente ainda há muito trabalho de limpeza nas vias, de tirar madeira, colocar mais para o lado, mas pelo menos já passam viaturas que permitem o resto dos serviços funcionarem”, acrescentou.

Contudo, o maior problema que este executivo, juntamente com outros tantos no distrito de Leiria, enfrenta “é a questão da rede de abastecimento de água”, que por ser municipal estão “a concentrar esforços para a restabelecer”, de modo que “durante esta semana isso seja possível”.

Sendo que a maior incógnita trata-se da energia e, consequentemente das comunicações. “Estamos a colaborar com a E-redes no sentido de arranjar, por exemplo, geradores. Analisar alguma ajuda para facilitar o trabalho da E-redes. Mas é algo que provavelmente irá demorar ainda mais”.

“Não há previsões de eletricidade. Eu ouvi hoje de manhã uma entrevista do Presidente do Conselho de Administração da E-REDES, que falou ao final deste mês, portanto estaremos nesta estatística. A água estamos com esperança de a conseguir restabelecer durante esta semana”, afirmou Isabel Marto.

A falta deste bem essencial tem sido superada com a distribuição de água para consumo, nomeadamente através de doações de empresas e de “15 auto-tanques com água, cisternas dos bombeiros, que estão a circular pelas freguesias”, com prioridade nos lares.

Isabel Marto acredita que “50% das habitações conseguiram colocar coberturas provisórias, plásticos”, já os que não conseguiram terão a ajuda do município, que está a “recolher telhas, materiais de construção para ajudar e facilitar as pessoas”.

Já com pelo menos duas mortes associadas à queda de telhados aquando das reparações no distrito, o executivo preza pela segurança e pela prevenção de acidentes, estando a “fazer o esforço de procurar empresas e de as captar para estarem disponíveis para ajudar as populações e a situação se resolver em segurança”.

Voluntariado para reerguer uma população muito afetada

Com o Governo a ter demorado a perceber a dimensão dos estragos da tempestade, coube às pessoas a responsabilidade de se irem ajudando e reunir esforços para ajudar quem mais precisava.

“As soluções estão a ser resolvidas muito por organização da nossa comunidade e captação dos próprios recursos. Toda a gente ajuda, empresas, máquinas, serviços, voluntários. E ainda este fim de semana, vieram muitas pessoas de todo o país, equipas com máquinas, com ferramentas para ajudar a cortar árvores. E têm funcionado muito assim”, referiu Isabel Marto.

Só a partir do terceiro dia é que o Governo “começou a canalizar alguns recursos”, como geradores e grupos de militares, que, por enquanto são “muito abaixo do número” necessário.

Porém, para quem está sem eletricidade, sem água, sem comunicações, sem poder se movimentar porque as vias estavam todas intransitáveis, estes dias custaram “um bocadinho”. A população sentiu-se “isolada e perdida”.

“O último número que me deram ontem (domingo) era cerca de 250 famílias que nós de alguma forma já conseguimos apoiar. Nem todos estão desalojados, o número de desalojados é cerca de 30 desalojados que nós solucionamos, porque já há muitos outros que solucionaram com a sua rede familiar”, disse.

Carminda de Jesus Ferreira é uma das habitantes de Santorum afetada pelo temporal que a fez abandonar a sua casa devido ao nível de destruição. Valeu-lhe a ajuda da irmã, que a foi buscar na manhã seguinte, perante um cenário de telhas e árvores caídas.

“Eu estava deitada e parecia-me que havia trovoada, mas não era. E deixei-me estar, estava a descansar. Depois quando eu me levantei, vi tudo destruído”, contou à Lusopress, referindo que o vento lhe levou “as telhas todas de uma ponta à outra da casa”.

Situação de calamidade até 08 de fevereiro

A situação de calamidade foi prolongada pelo Governo até 08 de fevereiro, após a passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, que deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos, com quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte e cortes de energia, água e comunicações.

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