Paris voltou a afirmar-se como capital internacional do design e do art de vivre com a edição de inverno da Maison & Objet, que decorreu entre 15 e 19 de janeiro, no Parc des Expositions de Villepinte. Ao longo de cinco dias, a feira reuniu 2.300 expositores, distribuídos por seis setores e sete pavilhões, e atraiu mais de 69 mil visitantes únicos. Destes, 44% chegaram de fora de França, o que reforçou a dimensão internacional do certame.

Além disso, o perfil profissional dos visitantes confirmou o posicionamento estratégico da feira. Cerca de 55% atuaram como distribuidores, 36% como prescritores e 9% como fabricantes. Nesse contexto altamente competitivo, 49 empresas portuguesas apresentaram soluções de mobiliário, têxteis, iluminação e decoração, levando a Paris o melhor do design nacional.
Cutipol aposta na notoriedade global da feira
Entre as marcas nacionais, a Cutipol voltou a assumir a Maison & Objet como um eixo central da sua estratégia internacional. Presente no certame há cerca de 15 anos, a empresa de cutelaria utiliza a feira como plataforma privilegiada para contacto direto com mercados globais.
David Ribeiro, diretor comercial da Cutipol, afirmou que se trata de “uma feira com uma notoriedade muito grande a nível mundial”, onde a marca recebe clientes de praticamente todos os países com os quais trabalha. Atualmente, a empresa opera em cerca de 66 mercados.
Além disso, a presença em Paris permitiu apresentar novos produtos, reforçar relações comerciais e captar novos clientes, sobretudo nos setores da hotelaria e da restauração. “Realizamos sobretudo negócios ligados a restaurantes e hotéis, não apenas de França, mas também de vários países à volta”, explicou. Segundo o responsável, o interesse vem também da Europa, do Extremo Oriente e dos Estados Unidos.
O balanço revelou-se positivo. David Ribeiro considerou que esta edição superou a anterior, destacando a capacidade da feira para contrariar a quebra de expositores e visitantes sentida noutros anos e para manter um público verdadeiramente internacional.
Gresnovo consolida mercado francês
Também a Gresnovo reforçou o seu compromisso com a Maison & Objet. A empresa de louça em grés fino, sediada em Vagos, conta com cerca de sete anos de atividade e participa regularmente na feira desde o início do seu percurso.
Ao longo do tempo, o certame tornou-se central na sua estratégia comercial. “O mercado francês foi-se tornando, também fruto da nossa presença sistemática nesta feira, o nosso principal mercado”, explicou Rui Batel, gerente da empresa. Segundo o responsável, a feira permite apresentar novidades e manter contacto com clientes que, muitas vezes, só surgem uma vez por ano.
Nesta edição, a Gresnovo lançou novas coleções, avaliou a reação do mercado e reforçou parcerias, sobretudo nos primeiros dias, marcados por grande dinâmica de contactos. Rui Batel classificou a afluência como “média, mas bastante aceitável”, reconhecendo sinais de recuperação e destacando a diversidade de mercados, incluindo fora da Europa.
Eventos paralelos ampliam impacto
Paralelamente, Paris acolheu a Maison & Objet in the City, que levou mais de uma centena de marcas a espaços emblemáticos da cidade, e a Paris Déco Off, que abriu os showrooms de mais de 150 marcas internacionais, com participação portuguesa.
Em síntese, a edição de inverno de 2026 confirmou a resiliência da Maison & Objet e reforçou o protagonismo do design português num palco internacional exigente, onde inovação, qualidade e identidade continuam a fazer a diferença.




