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Teatro musical celebra memória da emigração em Paris

O Consulado-Geral de Portugal em Paris assinalou o Dia Internacional dos Migrantes com o último evento do ano, que registou lotação esgotada. A instituição apresentou Exilis, um monólogo de leitura teatral e musical criado e interpretado por Rebecca Jaoui. O espetáculo deu voz a homens e mulheres que fugiram à ditadura de Salazar e à guerra colonial nos anos 60, a partir de testemunhos reais reunidos na obra Exilis (Exilados), publicada pelas edições Chandeigne & Lima.

Teatro musical revive memória da emigração em Paris
Teatro musical revive memória da emigração em Paris

Depois da apresentação em Champigny-sur-Marne, em abril, a peça regressou agora a Paris para um encerramento simbólico do ano cultural do consulado. Ao longo de uma hora, o público acompanhou uma narrativa intensa que cruzou leituras, projeção de imagens e interpretação de canções populares portuguesas e francesas da época.

Um espetáculo que cruza memória, música e história

Desde o início, Exilis construiu um retrato sensível das angústias, ambições e esperanças de uma geração inteira. A encenação revelou destinos marcados pela partida forçada, pela adaptação e pela luta quotidiana. Ao mesmo tempo, o espetáculo ultrapassou a história portuguesa e ecoou o percurso universal da emigração, num mundo em profunda transformação pós-colonial.

A música assumiu um papel central. Assim, as canções populares criaram pontes emocionais entre França e Portugal, reforçando a ligação afetiva com o público. Dessa forma, a peça transformou memórias individuais num património coletivo, vivido com grande intensidade na sala.

Rebecca Jaoui e a origem de Exilis

Em declarações à LusopressTV, Rebecca Jaoui explicou a génese do projeto. “O projeto nasce de uma ida ao teatro em Paris, nas comemorações do 25 de Abril. Comprei o livro e fiquei profundamente sensibilizada”, contou. A partir daí, decidiu dar forma cénica aos testemunhos. “Quis criar um espetáculo e o público tem adorado. Fico muito confortada com as reações e com as conversas que surgem depois da apresentação.”

Segundo a autora, muitas dessas conversas prolongam a memória entre gerações. “Há espectadores que viveram a emigração e agora transmitem essas histórias aos filhos e netos”, referiu. A emoção marcou presença. “Vejo algumas lágrimas, mas vejo sobretudo algo ainda mais bonito: pessoas a reterem as lágrimas, com uma emoção muito viva estampada no rosto.”

Apesar da carga emocional, Rebecca Jaoui sublinhou a importância do respeito pelos testemunhos. “Nunca esqueço que os relatos pertencem a pessoas reais, não a personagens fictícias. Por isso, tento manter alguma distância para dar a minha interpretação à leitura.”

Uma homenagem aberta a todas as gerações

Exilis dirige-se a todos os públicos. Assim, a criadora dedicou a peça àqueles que venceram o exílio, aos seus descendentes e a todos os que vivem histórias paralelas de ontem e de hoje. O espetáculo afirma-se, assim, como uma forma diferente de manter viva a memória e de evitar que estas histórias caiam no esquecimento das novas gerações.

O consulado como casa da cultura portuguesa

A satisfação ficou visível no testemunho de Mónica Lisboa, cônsul-geral de Portugal em Paris. “Este espaço acolheu o último evento do ano no Dia Internacional do Migrante. Assistimos a um espetáculo magnífico que fala da nossa história de emigração em França”, afirmou. Enquanto diplomata, reforçou a missão institucional: “Sinto duplamente a importância de abrir o consulado, que é a Casa de Portugal, a todas as expressões que constroem a nossa identidade coletiva.”

A cônsul acrescentou ainda: “Já conhecia o livro Exilis, mas nunca tinha visto esta adaptação. A Rebecca trouxe-nos uma emoção muito especial aos salões Eça de Queiroz, ele próprio emigrante e universalista.” A responsável revelou também a ambição para o futuro: “Em 2026, espero acolher mais eventos diversos, para dar a conhecer Portugal e para refletir sobre os portugueses no mundo.

A sessão terminou com um Porto de Honra e bolo-rRei, símbolo da tradição natalícia portuguesa. O livro Exilis encontra-se disponível apenas em francês, em livrarias e plataformas online. Já os convites para novas apresentações do espetáculo podem ser feitos através das redes sociais de Rebecca Jaoui.

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