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Joia: o espumante algarvio que conquista o mundo

Joia, o espumante da Quinta do Miradouro – Adega do Cantor, reforça a presença de Portugal no mapa dos grandes vinhos espumantes. Depois de receber a Medalha de Ouro Nacional em 2024, o vinho ganhou destaque durante a visita de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ao Mónaco. Ali, perante mais de 500 convidados no Instituto Oceanográfico, Joia serviu como espumante oficial da receção, o que projectou a marca para um público internacional exigente e atento.

O momento que gerou maior impacto surgiu quando o Presidente segurou a garrafa. Joaquim Pires, proprietário da adega, descreveu à LusoPress esse instante com evidente orgulho: “Aproximei-me para tirar uma fotografia e apresentei-me com o Joia. Ele já o conhecia e disse: ‘Então dê cá a garrafa!’. Segurou-a e registámos o momento. Senti uma honra enorme ao vê-lo com aquilo que considero o melhor espumante de Portugal”.

A imagem reforçou assim o prestígio da marca num mercado tradicionalmente dominado pelos champanhes franceses. Hoje, Joia já ocupa espaço em várias praias do Golfo de Saint-Tropez, onde a garrafa, desenhada na própria adega, se tornou um argumento visual de sedução.

Uma história feita de paixão

Antes de tudo, por trás do sucesso mediático existe uma história pessoal e emotiva. Joaquim Pires contou que criou Joia como homenagem à esposa francesa, amante de champanhe: “Ela é o meu equilíbrio e a minha inspiração. Este vinho nasce de uma paixão, de um desafio e de um amor profundo”.

Com o desejo de produzir em Portugal um espumante à altura de referências como Ruinart Blanc de Blancs ou Dom Pérignon, o empresário percebeu que as castas portuguesas tinham potencial para alcançar esse patamar. “Os champanhes preferidos da minha esposa têm estrutura e longos estágios. Concluí que podia fazer algo desse estilo aqui. Quis mostrar-lhe que Portugal é o país mais bonito do mundo e onde tudo é possível”, afirmou.

A compra da Quinta do Miradouro – Adega do Cantor permitiu assim transformar a promessa num projeto sólido e tecnicamente refinado.

A técnica que dá vida a Joia

Joia segue o método tradicional, com segunda fermentação em garrafa e estágio prolongado sobre borras finas. Nesse sentido, a prática confere bolha fina, persistente e elegante, além de uma boca vibrante e cheia de tensão.

Acima de tudo, a identidade portuguesa marca o estilo. Joaquim Pires explicou: “Uso arinto, uma casta que adoro pelo carácter, e verdelho, que oferece frescura. Em outras palavras, o verdelho refresca, o arinto transmite identidade e quase se sente a terra”. O produtor planeia introduzir Chardonnay no futuro, mas sempre aliado a castas nacionais: “Quero que Joia continue, acima de tudo, a ser um espumante português”.

Ambição global e novos desafios

Joia

O objetivo de Joaquim Pires passa por afirmar Joia como rival direto dos grandes champanhes sem perder a alma nacional. “Criei o Joia a pensar nos portugueses que gostam de champagne. Quero que sintam que temos um produto nosso, feito com talento e paixão”.

O produtor sonha ver Joia em eventos internacionais de grande visibilidade: “Gostava de o ver no pódio de um Grande Prémio, nas mãos do Miguel Oliveira. Portugal merece mostrar um produto seu ao mundo”.

A adega continua a conquistar distinções. Antes de Joia ganhar a Medalha de Ouro, o rosé M já tinha sido premiado numa prova cega em Lisboa.

O futuro: rosés, longos estágios e enoturismo

Em 2026 chega o espumante rosé, produzido pelo método champanhês e com estágio prolongado. “Será um rosé fantástico e espero que também conquiste uma medalha”, adiantou o produtor. Já a próxima edição de Joia branco, prevista para 2027, terá mais de 36 meses de estágio e incluirá Chardonnay para alcançar níveis comparáveis aos melhores champanhes.

Paralelamente, a Quinta do Miradouro prepara um projeto de enoturismo que promete transformar o Algarve num destino vinícola de referência. Estão previstas quinze unidades de alojamento sobre a adega, um restaurante gourmet “com nível Michelin” e uma piscina inspirada no mar das Caraíbas. “Quero criar um hotel de charme onde as pessoas possam passar um fim de semana com vista para o mar, visitas à vinha e boutiques dedicadas à história da adega”, explicou Joaquim Pires.

Em suma, com ambição, técnica e identidade, Joia confirma que Portugal tem espumantes capazes de brilhar ao lado dos melhores do mundo.

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