O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apresentou a marca “Portugal Nação Global” para reforçar a ligação entre o país e os milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Durante uma entrevista à LusoPress, o governante explicou a origem desta visão e destacou a necessidade de reposicionar Portugal no contexto global.

“Somos uma nação de emigrantes, estamos presentes em todo o globo, temos comunidades em 178 países”, afirmou Emídio Sousa, sublinhando a importância estratégica da diáspora. Esta perspetiva parte de uma convicção pessoal, construída a partir de raízes familiares ligadas à emigração, e transforma-se agora numa proposta política que pretende alterar a forma como Portugal se olha a si próprio.
Portugal além do território
A nova marca pretende alargar o conceito de nação. Assim, Emídio Sousa rejeita a ideia de Portugal como “um pequeno rectângulo ao lado de Espanha” e defende uma definição de país que abrange todas as comunidades portuguesas no mundo.
Com esta abordagem, o secretário de Estado propõe uma mudança conceptual profunda. “Ao pensarmos numa nação de comunidades, e não apenas num território geográfico, percebemos que somos uma das maiores nações do mundo”, declarou. Este discurso mostra uma ambição clara: transformar Portugal numa entidade global, construída por pessoas e laços culturais que atravessam continentes.
Em todas as intervenções, Emídio Sousa reforçou a mesma ideia: “Estamos em todos os continentes, em quase todos os países; há sempre um português, há sempre uma comunidade.” A presença dispersa torna-se assim um ativo único, capaz de gerar novas dinâmicas económicas e culturais.
Uma rede que cria oportunidades económicas
A marca “Portugal Nação Global” não se limita a um conceito simbólico. Antes de tudo, o secretário de Estado pretende criar mecanismos que aproximem empresários da diáspora, empreendedores portugueses e autarquias.
Entre as iniciativas já em preparação destaca-se um grande encontro internacional de negócios, marcado para 29 e 30 de abril de 2026. O evento vai promover reuniões bilaterais, visitas a municípios e contactos diretos entre investidores e projetos locais.
Segundo Emídio Sousa, este encontro tem um objetivo muito concreto: “Quero criar um espaço onde empresários de dentro e de fora do país se encontrem, conversem e procurem soluções em conjunto.” Desse modo, a proposta oferece oportunidades reais de investimento e abre portas a novas parcerias que podem reforçar a economia nacional.
Uma marca pensada para o futuro
Com esta estratégia, Emídio Sousa quer deixar um contributo estrutural para o relacionamento entre Portugal e a diáspora. A nova marca procura consolidar uma identidade nacional assente numa presença global permanente e numa rede ativa de comunidades. “É esta a marca que quero deixar. Se conseguir concretizá-la, sentirei que contribuí para uma nova forma de os portugueses encararem o mundo”, afirmou.
A visão torna-se clara: “O futuro de Portugal pode e deve ser construído com os portugueses que vivem além-fronteiras.”




