A Embaixada de Portugal em Paris voltou a dar palco à cultura e à música clássica com mais um concerto inserido no ciclo Musicorama. Esta iniciativa, que tem como missão promover o diálogo entre compositores portugueses e internacionais, voltou a reunir artistas de renome e um público atento.

No passado dia 13 de outubro, o salão da embaixada encheu-se de emoção com o recital “Ecos de um salão esquecido”, protagonizado pela soprano Laetitia Grimaldi e pelo pianista Ammiel Bushakevitz. O programa homenageou assim as melodias da Belle Époque e deu voz a compositores esquecidos que, em tempos, ligaram musicalmente Paris e Lisboa.
Um projeto que une culturas
O Musicorama nasceu da vontade de criar um espaço regular de partilha e diálogo cultural. De acordo com o embaixador Francisco Ribeiro de Menezes, a ideia surgiu inicialmente a partir de uma proposta do conselheiro cultural Jorge Barreto Xavier. A partir daí, com a colaboração do diretor musical Bruno Belthoise e, além disso, com o apoio imprescindível de vários patrocinadores, o projeto começou a tomar forma. Desde então, os concertos têm decorrido mensalmente e continuarão até junho do próximo ano, altura em que tudo culminará numa grande celebração da Festa da Música.
Laetitia Grimaldi: portuguesa de coração
Laetitia Grimaldi, artista internacional com carreira em salas como o Carnegie Hall e o Festival de Aix-en-Provence, emocionou-se por cantar na Embaixada. Embora nascida em França, cresceu em Lisboa e guarda uma ligação profunda a Portugal.
“Apesar de não ter nacionalidade portuguesa, sinto-me em casa aqui. A música portuguesa tem uma intensidade rara. Cantar em português toca-me profundamente”, partilhou à Lusopress. A artista revelou ainda que sempre que pode inclui canções portuguesas e brasileiras nos seus concertos: “Sinto que é meu dever dar voz à música portuguesa no mundo. No fundo, sou portuguesa na alma e no coração.”
Um espaço feito para a música
O ambiente da Embaixada proporcionou uma noite especial. Grimaldi destacou a acústica da sala e a atmosfera envolvente. “A sala tem uma acústica maravilhosa, com uma ressonância natural que realça a emoção da música”, afirmou.
O piano, cedido pela Fundação Calouste Gulbenkian, contribuiu para a qualidade do recital. Também o embaixador sublinhou o valor do evento: “Houve momentos verdadeiramente marcantes. Esta sala permite que os músicos se expressem com intensidade e sensibilidade.”
A música como ponte cultural
Com o Musicorama, a Embaixada de Portugal reforça o seu papel como promotora da diplomacia cultural. “Queremos abrir as portas à cultura portuguesa e criar ligações através da música”, referiu o embaixador. Nos próximos meses, o ciclo continuará a apresentar concertos que reúnem artistas portugueses e estrangeiros. A iniciativa promete manter viva a ligação cultural entre Portugal e França, unida pelo poder da música.
Assim, entre melodias francesas e sons lusófonos, o Musicorama afirma-se como uma verdadeira ponte cultural, onde a língua portuguesa ressoa mesmo na voz de quem, como Laetitia Grimaldi, a canta com alma e emoção.




