A Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault-Combault (APCS) celebrou no dia 11 de outubro os seus 50 anos de existência. Fundada em 1975, durante um intenso período de emigração portuguesa para França, a APCS nasceu da vontade de um grupo de emigrantes em melhorar as condições de vida dos seus compatriotas. Mário Castilho, o primeiro presidente, liderou a associação durante quase quatro décadas, com uma visão clara: dar voz aos portugueses e lutar pelos seus direitos.

Num tempo em que os sindicatos pouco ou nada faziam pela comunidade emigrante, a APCS tornou-se um espaço livre, onde se debatiam problemas reais e se procuravam soluções concretas. A luta contra a exploração laboral, a falta de acesso à segurança social e a marginalização social marcaram os primeiros anos da associação.
A língua portuguesa como pilar
Desde cedo, a educação e a preservação da língua portuguesa assumiram um papel prioritário no trabalho da APCS. De facto, a consciência da importância da língua como elemento de identidade cultural levou à criação dos primeiros cursos de português. Com o apoio de Joaquim Pires, o primeiro professor da associação, esta iniciativa ganhou forma numa época em que o Estado português, infelizmente, ainda não promovia o ensino da língua no estrangeiro.
Nesse contexto, a APCS respondeu a uma necessidade urgente da comunidade, oferecendo uma resposta concreta e pioneira. Mais tarde, para reforçar ainda mais essa missão, surgiu o Instituto Lusófono — um projeto que não só aprofundou o ensino da língua portuguesa, como também consolidou a presença da cultura lusófona na região. Assim, a aposta inicial transformou-se num verdadeiro pilar educativo da associação.
Atualmente, esse trabalho continua com entusiasmo e resultados visíveis. Mais de 170 crianças frequentam os cursos de português da APCS, desde o último ano do jardim de infância até ao 12.º ano de escolaridade. Por conseguinte, este percurso educativo garante a continuidade da língua portuguesa entre as novas gerações.
Segundo Cipriano Rodrigues, presidente da associação, essa missão mantém-se no centro da atividade da APCS. Além disso, representa um investimento sólido no futuro da comunidade, promovendo a ligação dos jovens às suas raízes e valorizando uma herança cultural que ultrapassa fronteiras.
Solidariedade com rostos e nomes
Em 2007, a APCS deu um novo passo ao lançar uma antena social, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia. Esta iniciativa nasceu da consciência de que muitas famílias portuguesas viviam em situações difíceis. Recolhas de alimentos, produtos de higiene e apoio direto a crianças tornaram-se parte integrante do trabalho da associação.
Na verdade, a inspiração para esta vertente solidária surgiu a partir de uma experiência marcante com a Cáritas, durante um seminário em Fátima. Foi nesse momento que Mário Castilho tomou consciência da realidade vivida por muitas famílias e, consequentemente, sentiu a urgência de integrar a ação social no quotidiano da associação. A partir daí, tornou-se evidente que apoiar a comunidade não podia limitar-se à promoção cultural — era, também, essencial responder às necessidades sociais mais prementes.
Reconhecimento além fronteiras
Naturalmente, a importância da APCS não passa despercebida, especialmente junto das entidades que acompanham de perto o trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas. Por exemplo, autoridades locais como o presidente da Câmara Municipal de Pontault-Combault, Gilles Bord, reconhecem o papel essencial da associação na promoção da integração e da coesão social. Segundo o autarca, a APCS representa um verdadeiro elo entre culturas, contribuindo de forma ativa para a construção de uma comunidade mais inclusiva.
Além disso, também a diplomacia portuguesa valoriza este percurso. A cônsul-geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, destacou a dimensão europeia e universalista da missão da APCS, destacando o seu contributo para a preservação da identidade portuguesa em território francês.
Por outro lado, a nível político, Carlos Gonçalves, deputado pelo círculo da Europa, recordou o impacto profundo da associação na vida das famílias portuguesas. Na sua perspetiva, a APCS desempenhou um papel determinante não só na formação de gerações, mas também na melhoria da imagem da comunidade portuguesa em França. Como afirmou, “esta associação abriu portas e formou gerações. O seu legado é um património coletivo que deve ser reconhecido e preservado”.
Um futuro sem fronteiras
A Festa Franco-Portuguesa, organizada todos os anos, continua a ser um ponto alto da vida associativa. Para Cipriano Rodrigues, essa festa e o arranque do ano letivo representam os momentos mais marcantes do calendário da APCS.
Apesar da ausência de representantes do Governo português nas celebrações do cinquentenário, a direção mantém a esperança de ver reconhecido, oficialmente, o trabalho feito. Independentemente disso, o espírito da associação permanece firme. Mário Castilho concluiu com um apelo às novas gerações: “Continuem este projeto com paixão e abertura. O futuro da APCS depende da juventude, mas também da capacidade de incluir todos, sem distinções”.
A APCS é hoje muito mais do que uma associação. É uma ponte entre gerações, um espaço de memória e de construção do futuro. Ao longo de 50 anos, manteve-se fiel à sua missão: servir a comunidade portuguesa com dedicação, promovendo a cultura, a língua e os valores da solidariedade. E continuará, enquanto houver quem queira aprender, partilhar e sonhar em português.




