De 4 a 8 de setembro de 2025, a Maison & Objet voltou a transformar o Parque de Exposições de Villepinte, em Paris, no ponto de encontro global para os setores do design, mobiliário e decoração. Este evento, com mais de 30 anos de história, reuniu mais de 2.300 marcas – 58% internacionais – e atraiu cerca de 53 mil visitantes de 152 países.

Portugal marcou presença com 30 marcas, apoiadas pela AICEP Paris, mostrando o melhor do design nacional, entre tradição, inovação e criatividade. No entanto, o balanço não foi unânime.
Entre entusiasmo e frustração: reações mistas dos expositores
A EME Culture Art, empresa portuguesa dedicada à arte decorativa em azulejo e impressões em papel de alta qualidade, ilustra bem o sentimento agridoce vivido por algumas marcas. Francisco Murias, CEO da empresa, partilhou que chegou à feira com grandes expetativas. No entanto, encontrou uma edição mais pequena, com menos visitantes e três pavilhões encerrados.
Apesar da desilusão inicial, reconheceu valor nos contactos estabelecidos: “Agora é preciso trabalhá-los”, afirmou com determinação.
Casos de sucesso: otimismo e crescimento
Por outro lado, a Mariaida Home saiu de Paris com um sentimento bastante mais positivo. A marca, nascida da paixão de duas primas pelos têxteis, já soma cinco participações na Maison & Objet e vê nesta feira uma plataforma essencial para expandir internacionalmente.
Joana Carneiro, CEO, explicou que conseguiram novos clientes, reforçaram relações existentes e aumentaram significativamente a sua rede de contactos. Este ano, apostaram na diversificação com o lançamento de pratos feitos à mão em Portugal, consolidando uma linha que já inclui têxteis para mesa e cama.
Cristema: tradição e novos mercados
Com mais de 30 anos de experiência na cutelaria, a Cristema também marcou presença. Joana Fertuzinhos, designer industrial da marca, destacou Paris como um ponto estratégico para entrar em novos mercados. Apesar de ter notado uma edição mais calma, considerou o objetivo cumprido ao nível de contactos relevantes. “Nem sempre a quantidade importa. Às vezes, poucos contactos geram boas oportunidades”, sublinhou.
Além da linha própria, a Cristema mostrou também o seu trabalho como fabricante para outras marcas, refletindo uma abertura crescente a novas colaborações internacionais.
Design português também brilhou na Paris Design Week
A par da feira, a Paris Design Week trouxe ainda mais visibilidade ao talento nacional. A exposição Re.MADE IN PORTUGAL naturally, com curadoria da designer Nini Andrade Silva, destacou mais de 70 marcas portuguesas. Localizada na Galerie Joseph, no bairro do Marais, em Paris, esta mostra celebrou a regeneração e a criatividade sustentável do design português.P
Persistência e qualidade como caminho
Embora esta edição da Maison & Objet tenha sido menos movimentada do que outras, ficou claro que as marcas portuguesas continuam a ganhar terreno internacionalmente. O balanço final revelou que, apesar de algumas frustrações, o investimento na presença internacional vale a pena — desde que sustentado por persistência, inovação e qualidade.




