A aldeia de Vila Grande, na freguesia de Dornelas em Boticas, voltou a cumprir a tradição no dia 20 de janeiro com as festividades em honra de São Sebastião, a romaria com maior simbolismo realizada no concelho botiquense, juntando milhares de pessoas à mesa.

A “Mesinha de São Sebastião”
A “Mesinha de São Sebastião” é uma das maiores e mais antigas tradições religiosas existentes no concelho de Boticas e que todos os anos atrai milhares de visitantes.
Em Vila Grande, estende-se pelas principais ruas da aldeia mesas de madeira onde é colocado o pão caseiro, a carne de porco e o arroz confecionado em potes de ferro ao lume, para oferecer aos forasteiros.
Antes do almoço, como é habitual, realizam-se as celebrações eucarísticas de homenagem e agradecimento ao santo e a bênção dos alimentos.
Nesta aldeia de emigrantes, muitos regressam ao país para organizar esta festividade, cuja comida demora vários dias a ser preparada, e que segundo o organizador deste ano, Pedro Pereira, é motivada pela “família, pela festa e pela aldeia”.
“Já é a tradição da família, do meu pai e do meu avô”, disse à Lusopress, acrescentando que o balanço da iniciativa é “bom” pela adesão das pessoas todos os anos, quer a participar como a ajudar na realização desta festa.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Boticas, Guilherme Pires, esta “festa centenária” representa os habitantes deste município e a sua forma “de fazer as coisas”, em que “de forma comunitária, todos ajudam”.
“Portanto, é o povo que se reúne à volta desta tradição religiosa e também é um sinal de que nós temos memória. Os nossos antepassados fundaram esta festa. A honra a algumas dificuldades que houve aqui na comunidade”, disse Guilherme Pires.
300 quilos de carne, 100 quilos de arroz e 950 broas
“Pomos as carnes de molho, dois dias ou três antes do dia da festa. Temos que cozer quatro ou cinco dias antes da festa que é para termos o pão”, afirmou Andreia Pereira, uma das organizadoras.
Este ano pelo dia de São Sebastião, havia “300 quilos de carne, 100 quilos de arroz e 950 broas”, segundo Andreia Pereira, uma das organizadoras.
“No dia da festa, acendemos o lume por volta das três da manhã, metemos as carnes nos potes, fazemos potes de sopa, cozemos a carne, retira-se a carne e guarda-se a água da carne para fazermos depois o arroz”.







A origem desta tradição secular
Segundo a lenda, que remonta até à época das invasões francesas, altura em que os habitantes da aldeia prometeram a São Sebastião, padroeiro da guerra, fome e peste, que em troca da sua proteção divina iam oferecer comida a todos aqueles que, no dia 20 do primeiro mês do ano, passassem pela aldeia.
Um forte nevão fez “as tropas continuarem o seu caminho” longe da aldeia e, há mais de 200 anos, os habitantes prestam homenagem ao santo, mantendo a tradição de oferecerem comida aos milhares de visitantes.
Apreço pelos portugueses que vivem no estrangeiro
Numa iniciativa que é realizada com o apoio dos emigrantes da aldeia, o Presidente da Câmara Municipal de Boticas quis deixar “uma mensagem de muito apreço” aos “filhos da terra”, desejando que “um dia venham para ficarem para sempre” nesta que é também a sua terra.
“Obrigado por nunca esquecerem a sua terra. Obrigado por investirem na sua terra. Todos os anos é com muito gosto que o Município de Boticas vos recebe e investe para que se sintam bem”, disse.




