Os votos dos emigrantes, que tradicionalmente têm pouca expressão, poderão ter um peso maior na eleição do próximo Presidente da República português do que em outros sufrágios, de acordo com especialistas contactados pela Lusa.

“O voto da emigração poderá não fazer a diferença, mas poderá ser importante, porque quanto menor é a diferença nas intenções de voto dos candidatos, maior evidentemente é a possibilidade de um reduzido número de votos fazer a diferença”, disse à Lusa o politólogo António Costa Pinto.
Nas últimas presidenciais (2021), votaram apenas 29.153 (1,88%) dos 1.549.380 emigrantes inscritos para este escrutínio, que reelegeu Marcelo Rebelo de Sousa.
Os portugueses que residem no estrangeiro apenas podem votar presencialmente nas eleições presidenciais, o que representa dificuldades acrescidas, dadas as grandes distâncias que em alguns casos têm de percorrer. Nestas eleições, poderão votar entre 17 e 18 de janeiro presencialmente nas mesas de voto dos respetivos postos consulares, que podem ser consultados em http://www.recenseamento.pt.
O historiador e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) ressalva as diferenças entre as eleições legislativas e as eleições presidenciais, no que diz respeito à participação dos emigrantes.
“Os emigrantes estão representados na Assembleia da República e, portanto, os partidos têm uma capacidade de mobilização maior junto da comunidade emigrada, enquanto as eleições presidenciais são unipessoais e não têm constituição da emigração.
E prosseguiu: “Uma parte dos candidatos nem sequer faz campanha eleitoral na emigração, enquanto nas legislativas isso é sempre feito”.
Eleições diferenciadas
Para António Costa Pinto, as eleições que se disputam no domingo são “relativamente excecionais”, dado contarem com um número de candidatos muito elevado, um número de candidatos de partido muito elevado e, eventualmente, duas voltas.
Nestas circunstâncias, referiu, existe uma maior possibilidade de “um reduzido número de votos fazer a diferença”.
Jorge Malheiros, geógrafo e especialista na área da emigração, ressalva um aspeto interessante nestas presidenciais, cuja primeira volta se realiza no domingo: “Cinco candidatos aparecem separados por valores relativamente reduzidos nas sondagens. Pode acontecer que o voto da emigração seja mais determinante do que noutros casos”.
E explica que isso se deve ao facto de, “como as diferenças são pequenas, pode acontecer que sejam os votos dos emigrantes aqueles que vão contribuir para que um candidato que, por exemplo, tenha menos votos no território nacional, possa, com os votos da emigração, passar para uma posição que lhe permita chegar à segunda volta”.
“Ao contrário de outras eleições, nestas presidenciais os votos dos emigrantes podem ter um peso maior no processo de decisão”, acrescentou.
Dos 11.039.672 eleitores recenseados, 1.777.019 votam no estrangeiro, 1.050.356 dos quais na Europa.
Número recorde de 11 candidatos
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Hoje, no último dia oficial de campanha para as eleições de domingo, os candidatos presidenciais fizeram os derradeiros apelos ao voto que permitam disputar uma segunda volta, já que é provável que nenhum alcance a maioria dos votos expressos no domingo.
No caso de existir uma segunda volta, os eleitores emigrantes poderão votar entre 07 e 08 de fevereiro.




